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Estimadas (os) irmãs (ãos) em Cristo! A Paz esteja convosco!

Hoje vou passar a vocês algumas experiências minhas com Deus, que me fala de tantos modos, mas que nem sempre ouço. O bom e o belo é que tenho certeza de Sua misericórdia, porque reconheço que sou um pecador.

• 1ª reflexão – Em 1977 eu era pároco da igreja de S. Jaime (hoje, S. Tiago), no Lins, trabalhava nos colégios S. Paulo (6 aulas de religião) e Sto. Inácio (14 aulas) e colocava todo o meu salário na construção daquela igreja.
Num dia em que tinha dado 5 aulas pela manhã, almoçado da forma mais econômica (em prol da obra) e atendido a todos que chegavam, fui celebrar a missa de 18h. Ao fim, um homem magro, alto, moreno fez-me um sinal, chamando-me lá na frente. Comecei a resmungar interiormente, pensando em tudo que tinha feito naquele dia. Cheguei diante dele e perguntei: “Que o senhor deseja?”, na certeza de que iria me pedir algo. Qual não foi minha surpresa, quando ele me entregou um envelope dizendo: “É para a campanha que o senhor está fazendo.”! Perguntei seu nome para colocar no quadro de doadores, e ele respondeu: “Um anônimo.” Segurei o envelope que “queimou” minhas mãos; eu teria preferido que ele tivesse feito um pedido para eu justificar meus pensamentos. Procurei o homem durante muito tempo nas missas, mas nunca o encontrei...
Devia ter me lembrado do que Jesus disse: “Depois que tiver feito tudo que deveria, diga para você mesmo: ‘Sou um servo inútil” (Lc 17,10).

• 2ª reflexão – No domingo da Festa da Assunção, na missa das 10h30, 32 coroinhas receberam as vestes sacras e outros 78 participaram da missa (fotos na p. 6). Eles também tiveram o privilégio de rezar com a bailarina Carmem que fez uma homenagem a N. Sra. com a Ave-Maria de Schubert com coreografia de dança flamenca.
Mais uma vez, Deus falou. No auge da dança, entrou uma mulher pelo centro da igreja, com roupas de um colorido muito vivo. Murmurei: “Meu Deus!” (não como ação de graças, mas com medo de que atrapalhasse). Mas a moça, de forma muito suave, beijou a mão da bailarina, foi para a frente da imagem de Nossa Sra. da Providência, fez uma reverência e tornou a sair pelo meio da igreja. No fim da missa, vi que ela deixou uma de suas sandálias. Era um Anjo Urbano? Ou era Deus mais uma vez dizendo: “Por que pensais mal em vossos corações?” (Mt 9,4).

• 3ª reflexão – No domingo da Transfiguração (Mt 17,2s) depois de celebrar as missas de 8h no Santuário de Fátima e de 10h30, 12h e 17h, na paróquia, na homilia das 18h30 resolvi falar da Glória de Deus e da dificuldade que temos para contemplar, idealizar, meditar etc. E concluí contando a passagem inicial do livro O pequeno príncipe, de Saint-Exupéry, na qual ele diz que os adultos não conseguem ver o carneiro dentro da caixa. E acrescentei: Preferimos um passarinho na mão do que dois voando.
Ao acabar a missa, encontrei na porta da sacristia um morador do parque ao lado, que já tinha me oferecido muitos pássaros e a quem respondi que não podia aceitar pois eram aves cuja criação o Ibama proibia. Mas ele insistiu que era um sabiá diferente, ao que retruquei: “É aquele que canta no parque?” Ele respondeu: “Esse é diferente.” Ele conseguiu aguçar minha curiosidade e voltou de imediato com uma grande gaiola, embrulhada num saco preto e com uns furos para a ave respirar. O preço foi simbólico: R$ 5,00. Eu, todo contente com a nova aquisição, resolvi dar R$ 10,00. Subi para a casa paroquial e, com muito cuidado, abri o plástico e verifiquei que a gaiola estava vazia. Fiquei muito contente porque Deus me devolveu a lição que eu tinha dado aos paroquianos na missa: “Você conseguiu ver o sabiá dentro da caixa?” Fui para o quarto cantando: “Deus é um cara gozador, adora brincadeira” (música “Partido Alto”, de Chico Buarque) e lembrei “O poema do Menino Jesus”, de Fernando Pessoa, que diz que Jesus era manso e humilde demais para ser a segunda pessoa da Santíssima Trindade e que hoje mora com o poeta em sua aldeia, brincando como qualquer menino..

• 4ª reflexão – Num ano de que não me lembro mais ao certo, quando saí, por volta das 6h para ir à Cadeg, deparei-me com um grupo de coroinhas (entre eles, Bruno, nosso artista de teatro) que cantava uma música religiosa. Perguntei: “Meninos, vocês beberam? Onde passaram toda a noite?” Eles responderam: “Padre, passamos a noite em Adoração na igreja N. Sra. de Copacabana. Viemos cantando e vamos até o Arpoador, o senhor quer vir com a gente?”
E Deus falou mais uma vez: “Por que pensais mal em vosso coração?”
Na missa da terça-feira seguinte, narrei o fato, porque o evangelho era do julgamento de coração (Mt 9,4). E na semana posterior, o escritor Paulo Coelho, que estava na missa, contou o fato com palavras melhores que as minhas...
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Estimados amigos, espero que não tenham se escandalizado, como meu velho amigo Kaplam que, ao saber que eu não tomava remédios, disse com o rosto suave: “Padre, eu o admiro tanto, mas não sabia que o senhor era tão irresponsável.” Respondi: “Eu trabalho para Deus, e Ele toma conta de mim!” (Não sigam este exemplo, pois eu tenho uma aliança especial com Deus...)
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Escrito na Trattoria da rua Fernando Mendes, com um novo visual, mas a mesma qualidade!
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Oração a Nossa Senhora do Lago (Nova santa da Casa de Retiro de Bacaxá)
Ó Maria Mãe de Deus, estamos à beira do lago para agradecer e suplicar. Nas Bodas de Caná, a Senhora intercedeu pela família que não tinha mais vinho. (Jo 2,1-112)
E Seu Filho fez o milagre. Não viemos pedir nada material, mas para que cada um de nós possa fazer o milagre na própria vida. Pedimos a vossa intercessão.
Ó Senhor Jesus que na margem do Lago de Genesaré (Lc 5,1) realizastes a pesca milagrosa, viemos, aqui, invocar a intercessão de Sua Mãe, e ao mesmo tempo pedir ao Senhor que nos dê sua graça para perseverarmos firmes na Fé, e produzirmos frutos para o Seu Reino, que já está no meio de nós.
Amém!

(ago./2017)