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Estimadas(os) paroquianas(os)

“Na partilha, a certeza da presença do Senhor.”
Aproximamo-nos do fim do ano e, como fala o Eclesiastes, “Tudo tem seu tempo e ocasião, todas as tarefas sob o sol...” (Ecl 3,1). Hoje é tempo de avaliar, agradecer, rever e também de prestar contas de minha administração a cada um de vocês.
Soa repetitivo falar sobre crise, corrupção, violência urbana! Vivemos uma crise ética em que os dirigentes em número considerável desviaram verbas para suas contas particulares. Nas palavras de S. Gregório de Nisa (330-395 d.C.), eles têm seus lugares reservados no Vale das Sombras (cf. Bíblia). No domingo (22.10) um paroquiano assíduo me perguntou: “Padre, a crise também atingiu a igreja? Vejo que não há flores como antes...” Ao que respondi: “Há muito tempo vivemos essa crise, eu é que não compartilho.” (Não gosto de falar de dinheiro, vocês já devem ter percebido.) As flores, principalmente orquídeas, eram doação de uma paroquiana; as outras eu comprava no Cadeg. Mas há sempre pessoas que não colaboram nem com um alimento para a cesta básica dos pobres, apesar de fazerem discursos inflamados, então resolvi abrir mão da beleza do templo. Nisso eu me pareço com S. Paulo: para não dar motivos para o outro pecar é melhor não lhe dar oportunidades (cf. 1Cor 8,13; 2Cor 6,3). Aproveito para expor o que passamos:
1) O número de dizimistas neste ano diminuiu muito;
2) As celebrações particulares de missa de falecidos e de Ação de Graças, caíram vertiginosamente;
3) Muitos aposentados estão sem receber (alguns paroquianos tiveram que alugar seus apartamentos e se mudar, entre eles um de nossos voluntários que é professor aposentado da Uerj. Na Uerj fiz Filosofia e Mestrado em Educação. A excelência dos professores, o ambiente e tantas outras coisas me deixavam vaidoso quando ouvia falar nessa faculdade. Mas os últimos governadores e o projeto educacional do país nem sempre desejam um povo preparado, basta lembrarmos Paulo Freire que foi censurado com seu método de educação que levava o aluno a pensar. Também Jesus foi crucificado por ensinar o povo a discernir, questionar e se posicionar);
4) As taxas de serviços: luz, água, manutenção de ar condicionado, encargos sociais etc. aumentaram; 5) Dizimistas que contribuem com generosidade também morrem...;
6) Novos dizimistas são raros!

Há 32 anos estou à frente da administração da paróquia. Não estou lamentando, mas partilhando. Não poderia ser diferente! Mais uma vez, sou como o apóstolo Paulo “A esperança não decepciona” (Rom 5,5). Creio em dias melhores!
Nossos funcionários nunca receberam com atraso, o horário de trabalho é em dois turnos (de 7 as 14h e de 14 as 22h, com intervalo, como manda a lei) e recebem uma cesta básica. Os salários não são de invejar, mas até agora não procuraram ou acharam melhor lugar. São tratados com dignidade pelos que frequentam a paróquia. De um aumento, quem não gostaria? Mas todos têm parentes desempregados e sabem o que se passa. Em geral quem fala em aumento, com frequência, são aqueles a quem não falta nada. Ainda no dia 22.10, no almoço, conversamos a respeito da situação econômica do país, e contei a história do “Congresso das Notas”; que ouvi há muito tempo de Mons. Maurílio (antigo pároco da Ressurreição):
“As notas resolveram se encontrar e cada uma contaria suas experiências. A de 100,00 estava satisfeita, pois podia entrar lojas e restaurantes e vivia em bolsas e carteiras de grife. A de 50,00 também estava satisfeita: em restaurantes populares, podia pedir o prato executivo e um suco e comprar uma ou duas peças de roupa em algumas lojas. A de 20,00 fazia sucesso nas lojas e bares da Saara. A nota de 10,00 fazia figuração nos camelôs e nas promoções de alguns bares. A de 5,00 podia comprar algum pão de queijo e um refresco, como nos trens que trafegam nos subúrbios da Central. Chegou então a vez da nota de 2,00 e das moedas. Todas falaram em uníssono: ‘Nossa vida é muito mais monótona pois passamos o tempo nas cestinhas e cofres das igrejas ouvindo o padre dizer: Senhor tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós!’”
Mas claro, essa é apenas uma ilustração, pois cada um dá de acordo com suas possibilidades; e em algumas missas, também recebemos notas de 100, de 50, de 20 etc. etc.
Na Capela da Anunciação, no Pavão-Pavãozinho, as crianças da catequese pagam seu dízimo de 3,00 reais! O pouco com Deus é muito!
Agradeço a todos a confiança e a participação na vida desta paróquia, também em nome do Mons. Vasconcellos, dos padres França, Theóphilo, Gabriel e das missionárias Michele, Rosa e Aline. Deus vos abençoe!

Em tempo: - No bar na esquina da Raul Pompeia com a Francisco Otaviano pode-se comer um delicioso pastel por R$1,50. Eu e Pe. Theóphilo somos fregueses, e o coroinha Brayent me traz sempre, aos domingos, três pastéis que às vezes se tornam meu jantar com um refrigerante...
- Na vida do pároco o mais difícil é administrar a igreja, pois temos que providenciar tudo. E contratar um administrador seria mais oneroso. Por isso, hoje, muitos padres não querem ser párocos. - A paróquia contribuiu para a Missão com R$12.781,40, recebidos nas missas dominicais. Nossos agradecimentos à generosidade de todos.

(out./2017)