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Estimadas(os) paroquianas(os)

“Como são belos sobre as montanhas os pés do mensageiro que anuncia a felicidade, que traz as boas novas.” (Is 52,7)

Natal!

“Maria deu à luz seu filho e o colocou na manjedoura pois não havia lugar para eles dentro da casa.” (Lc 2,7)

Como e quando surgiu o presépio? Não é verdade o que contam, que São Francisco de Assis (1182–1226 d.C.) fez o primeiro presépio. Na realidade, ele estava acostumado a ver inúmeras cenas do presépio em sarcófagos, relicários, vitrais e pinturas em igrejas dos primeiros séculos. Também, como cristão, todos os anos celebrava o Natal, participando da missa do galo à meia-noite.
O que fez, então, Francisco? Numa noite de Natal, acolheu os pobres e doentes da região na pequena igreja de São Damião (símbolo da Restauração da “Igreja decadente”) e celebrou com os mais pobres e marginalizados o Mistério do Deus Conosco, Emanuel. Então, realizou um presépio vivo!

O primeiro presépio – O ano 320 é a real data do primeiro presépio.
O presépio é o nascimento de Jesus no sentido profético. As figuras: o menino, o boi e o burro encontram-se no Museu das Termas (Roma).
O boi é o símbolo da bondade e da força pacífica. Todos se alimentavam com o trabalho dele que lavrava a terra. O boi é um animal sagrado para vários povos. Em Isaías 1,3, lemos: “O boi reconhece seu dono, e o burro, o estábulo de seu senhor, mas Israel não conhece nada, e meu povo não tem entendimento.”
O filho de Deus nasce para todos os povos. O boi: o jugo da lei (o povo de Israel); o burro: o povo pagão.
O presépio representa o grande sonho de Deus. Todos os homens são como irmãos. Na simplicidade de uma estrebaria encontram-se animais, pastores, reis, anjos e os vizinhos que acorreram. Depois que prestaram seu louvor e entregaram os presentes, voltaram cada um para sua realidade.
A meu ver, foi o único momento da História em que aconteceu um encontro sem diferenciação de classes sociais. Nas arenas e nos círculos romanos, os imperadores, a corte, os mais ricos tinham seus lugares de destaque. Hoje, nos teatros, há setores diferenciados – camarotes, frisas, balcão nobre, galerias... Nos shows, temos a área vip. Nos eventos, sejam religiosos ou de cunho civil, também temos os lugares de destaque. (Mas em nossas igrejas, em geral, não temos lugares reservados.)
O grande escritor russo, Dostoiévski, sentiu em sua própria pele essas diferenças. Quando participou da Corte, tinha seu lugar reservado, mas quando foi cumprir pena na Sibéria, na noite de Páscoa, os presos só podiam participar da missa na porta da igreja, onde o frio gelava até a alma. O escritor dos Irmãos Karamazov, neste local, sente a presença de Deus e constata: o hábito faz o monge (cf. Recordação da casa dos mortos); as roupas de preso eram apenas externas, pois naquela situação ele se revestiu com a graça de Deus.
E hoje: sem-tetos, sem-terras, população de rua também não encontram lugar. As guerras, o terrorismo e as injustiças expulsam os seres humanos de seus países.
E você, qual seu lugar no presépio? Você se assemelha a qual personagem!?

Faço da mensagem dos anjos minha mensagem de Natal e Ano-Novo: “Glória a Deus no mais alto dos céus e na Terra, paz aos homens de boa vontade.” (Lc 2, 14)

(dez./2017)